Dieta Low Carb: vale a pena??

Dieta Low Carb: vale a pena??
4.4 (88.57%) 7 votes

Dieta low carb: vale a pena?

Será que uma dieta low carb é a resposta contra os quilos extras? Optar por uma dieta low carb para perder peso voltou à moda com tudo. A técnica até funciona, porém não é unanimidade entre os experts

 

dieta low carb

Dieta Low carb

Já se se passaram quase 50 anos desde o momento que o médico americano Robert Atkins (1930-2003) criou sua conhecida dieta, caracterizada pela suspenção brutal de carboidratos (arroz, pães, massas…) e por uma maior permissividade em relação às gorduras.

Desde então cardápios similares ficaram à espreita do prato, ora atingindo popularidade, ora entrando em desuso. A onda da vez, queridinha entre aqueles que desejam emagrecer sem demora, é denominada como low carb, termo em inglês para refeição com pouco carboidrato.

Conforme o Google, principal site de buscas na da internet ela foi a dieta mais procurada em 2017 pelos brasileiros, com um crescimento de 986% em relação a 2016.

Nem precisa gastar seu tempo vasculhando quanto decarboidrato é permitido nesse modelo alimentar. Não há unanimidade quanto a isso – o que dificulta, do ponto de vista científico, chegar a conclusões sobre o método.

Em geral, fala-se em um consumo de 20 a 40% do nutriente em relação às calorias consumidas em um dia, ou algo ao redor de 50 a 100 gramas. Em uma dieta tradicional, suas fontes devem representar de 55 a 65% das calorias diárias. É uma baixa significativa

Na ponta do lápis

Dieta tradicional

Indica-se que de 55 a 65% das calorias ingeridas diariamente sejam de fontes de carboidratos.

Dieta low carb

De todas as calorias consumidas no dia, só de 20 a 40% precisariam vir do famigerado nutriente.

Mas, além do que bitolar na quantia a low carb propõe foco no tipo de alimento selecionado para preencher essa demanda. As pessoas são estimuladas a obter os carboidratos a partir de legumes e verduras.

Já grãos, cereais, farináceos, algumas frutas e tudo que leva açúcar saem de cena por causa do grande teor de carboidratos Para ter ideia, é preciso dar adeus ao pão do café da manhã e ao arroz com feijão do almoço. No outro lado da balança, o que sobe é a ingestão de redutos de gorduras e proteínas.

Não é difícil justificar por que este cardápio promoveu frisson entre aqueles que estão preocupados preocupado com as dobras na cintura. “Sabemos que as dietas low carb levam a uma perda de peso rápida”,  Só que este fato, tão apreciado pelo público, não é animador para parte dos profissionais na área .

Como as fontes de proteínas e gorduras saciam bastante, as pessoas começam a comer menos – Por isso emagrecem mesmo. O dilema é que, conforme ele, essas dietas limitadas são menos efetivas com o tempo. E causam o conhecido efeito sanfona.

Dieta Low carb e emagrecimento

O carboidrato é um dos elementos que definem a presença de água dentro de nossas células. Portanto, quando o nutriente está em falta, o líquido vai embora. “As pessoas acham que a mudança do peso vem da eliminação de gordura.

No entanto na realidade, as mesmas só perderam água”, esclarece Lancha Jr., que também é autor do livro O Fim das Dietas (Editora Abril). Pior: de acordo com experimentos do professor, nesse bolo a massa magra também vai para o espaço. E os músculos são precisamente nossos maiores torradores de energia e gordura corporal.

Então, o problema não estaria na dieta low carb em si, porém no fato de ela ser feita sem acompanhamento. Se por acaso o profissional não tenha equipamentos para averiguar o índice de gordura do paciente – como o de bioimpedância -, pode medir braço, panturrilha e força muscular. “Se tiver perda em 30 dias, há algo errado”, enfatiza

De qualquer forma, em termos de perda de peso, não é para esperar milagres. Há relatos de atividade de que tanto faz optar pela low carb ou em uma dieta baseada na diminuição de gorduras ou de calorias.

“Uma das premissas para o emagrecimento é gastar mais do que consumir.  Ao analisar vários estudos publicados de 2005 a 2016 sobre todas essas estratégias, estudiosos da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, concluíram que a perda de peso proveniente da dieta low carb poderia ser insignificativamente maior – coisa de 1 a 2 quilos.

Portanto, é extremamente contraindicado consultar o vizinho ou a internet no momento de montar o cardápio. Há aqueles que interpretam por exemplo, que tudo bem comer, dia após dia, bacon, picanha, salsicha e frango com pele frito na banha de porco. Lembre-se: os impactos negativos vão além do peso.

Os estudiosos salientam ainda que só é possível garantir a segurança do método por quase 6 meses, já que a grande parte das experiências é de curto tempo, fora isso, comunicam que, nos estudos não dá para constatar a qualidade das fontes de proteínas e gorduras postas no prato.

Ao carregar a mão na gordura animal,

por exemplo, as consequências não são nem um pouco agradáveis. “Esse hábito pode chegar a dobrar o colesterol total, a triplicar o colesterol LDL e a diminuir pela metade o HDL“, Se por acaso tenha se perdido nas siglas, a gente explica: enquanto o colesterol LDL deposita gordura nas artérias, o HDL a tira de circulação. Entendeu o enrosco?

Para se reduzir os risco o ideal é privilegiar itens como azeite, abacate, coco, castanhas e sementes, ricos em gorduras insaturadas, reconhecidamente mais benéficas. “Eles geram saciedade e, ao mesmo tempo, dispõem de vitaminas, minerais e fibras“, esclarece.

Para os aqueles que defendem a dieta low carb, não é surpresa que algumas estratégias – como simplesmente diminuir o tamanho das porções de comida – emagreçam na mesma magnitude. Mas a razão para coibir o carboidrato não para por aí. “O consumo demasiado desse nutriente leva a uma superestimulação do pâncreas, com maior produção de insulina.

Escrito nos hormônios

Ter insulina em excesso na circulação não é legal nenhuma pessoa discorda. No entanto, para quem não é tão fã da dieta low carb, outras questões merecem debate. Para começar, a produção do hormônio não é incitada apenas pela glicose derivada dos carboidratos.

E o excedente desse hormônio é relacionado a um maior ameaça de engordar e se tornar diabético. Fora isso, o açúcar derivado do carboidrato contribuiria com processos inflamatórios, circunstância que patrocina muitas doenças.

“Algumas proteínas e gorduras também incentivam esse processo”, explica a nutricionista Bruna Reis, do Conselho Regional de Nutricionistas – 3ª Região (CRN-3). Logo, deixar o arroz do bufê e cair de boca na fraldinha não asseguram folga ao pâncreas – a produção de insulina também será instigada.

Nágila, da Socesp, frisa que o hormônio faz parte de um metabolismo saudável, já que abre as portas para glicose, proteínas e gorduras entrarem nos tecidos. “Essa história só se torna arriscada se comemos em excesso”, enfatiza a nutricionista.

Nesse contexto, o pâncreas produz tanta insulina que, para se proteger, os tecidos se fecham. Ocorre, dessa forma um crescimento do hormônio circulante e uma maior resistência à sua ação.

E, se a insulina não age direito, de fato sobra açúcar no sangue, um estopim para encrencas. “Mas isso se dá mais por abuso do todo”, reitera Nágila.

Lancha Jr. também defende que é maldade colocar a variação de insulina só nas costas dos carboidratos. “Vamos supor que 90% de sua dieta venha de pão. Só que você consumirá tudo isso com um monte de alface.

Pronto: o índice glicêmico já é recompensado assim como a liberação de insulina”, raciocina. O exemplo é absurdo claro, mas ilustra como o pico de açúcar no sangue depende muito do que agregamos à alimentação

Tem outro ponto:

O que conta pra valer são quantia e tipos de carboidratos selecionados, Todos os profissionais especializados concordam que exageramos em alimentos que fazem a glicose e a insulina dispararem – arroz e massas refinadas, sobremesas e refrigerantes são exemplos.

Só que, em vez de ir para o extremo (a dieta low carb), o pulo do gato seria maneirar e trocar esses itens por variações boas do nutriente, como arroz e massas integrais, grãos, cereais e frutas.

É que elas são lotadas de fibras, substâncias que freiam a subida da glicose no sangue. “Isso, por si só, já altera o padrão de produção da insulina”.

Há bem mais argumentos pertinentes às trocas, e não a substituição radical. “Alguns estudos demonstram que a dieta limitada em carboidratos, particularmente, nesses ricos em fibras, alteram a diversidade de bactérias no intestino, o que predisporia a problemas inflamatórios, como alergias e doenças autoimunes.

Agora, para quem já recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2, a low carb pode até ser uma saída para domar a glicemia. O pesquisador Grant Brinkworth, da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, na Austrália, viu essa faceta da dieta de perto.

Em experiência com 115 diabéticos, metade utilizou uma alimentação com menor proporção de carboidratos (14% das necessidades calóricas diárias), enquanto outra parte concentrou na diminuição de gorduras. “Embora os dois grupos tenham eliminado peso de forma similar, quem aderiu à low carb foi capaz de controlar melhor a doença”, revela Brinkworth.

A nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), confirma que muitos pacientes se beneficiam muito do método – quando bem-feito e individualizado.

Portanto enfatiza que tanto a SBD como as organizações internacionais que atuam com esse público priorizam um cenário de equilíbrio nutricional, em que há, sim, espaço para os carboidratos. “Evitar o terrorismo nutricional é essencial para a adesão ao tratamento”, defende.

Caso você tenha chegado até aqui sem a certeza se a dieta low carb é um bom investimento, tranquilo. No fim das contas, o melhor padrão alimentar é aquele factível de ser seguido. “E isso depende do perfil do paciente”.

O crucial é não embarcar em modismos sem a orientação de um profissional. Ele consegue avaliar, de forma global, se a dieta está valendo a pena. O primeiro erro é deixar isso só a critério da balança.

Cetogênica é outra coisa

Mas tem gente que anda recorrendo à dieta cetogênica para perder a barriga. Na visão de Geraldo Thedei, da Universidade de Uberaba (MG), é um perfeito disparate. “Há produção elevada de substâncias que modificam o pH do sangue. Isso traz riscos para o organismo”, alerta. Para completar, o menu é pobre em vitaminas, minerais, fibras… “Trata-se de uma deseducação alimentar”, crava Thedei.

Caso ouça por aí que a dieta low carb beneficiou fulano a secar 30, 40, 50 quilos sem atividade física, saiba: não há beneficio algum nisso. “Exercício jamais é dispensável”, declara a nutricionista Isabella Vorccaro. “Inclusive, é um dos pilares da saúde”, complementa Ocorre que, ao diminuir os carboidratos, muita gente sente uma indisposição tremenda. Normal, pois o nutriente nos entrega energia. A solução, porém, não é parar de se mexer. Nem se entupir de cafeína. “Ela não produz energia. Só disfarça a fadiga”, aponta Gabriela Parise, nutricionista da RG Nutri. Fora que pegar pesado nos estimulantes pode acarretar danos depois.

O QUE PODE COMER

dieta low carb
Dieta Low carb

Os grupos alimentares abaixo dão uma ideia do que é o padrão low carb na prática

Café
Sem açúcar, tá? Chás e água com limão podem também.

Laticínios
Iogurte natural, ricota e cottage são opções.

Azeite
O óleo da azeitona tem gordura boa.

Carnes
De vaca, frango, peixe… Vale tudo.

Cogumelos

todos os tipos, à vontade.

Ovos

liberados em qualquer refeição.

Tubérculos
Batata-doce e inhame seriam os melhores.

Frutas com baixo índice glicêmico
Abacate, coco, morango e damasco fazem parte da lista.

Leguminosas
Grão-de-bico e lentilha, mas com muita moderação.

Verduras e legumes
Pode variar e investir sem medo.

Oleaginosas
Prove amêndoas, castanhas, nozes…

O QUE É MELHOR EVITAR

Os alimentos e grupos abaixo são contraindicados na dieta low carb

Leite desnatado
O ponto fraco é que não tem gordura.

Doces
Têm açúcar pra dar e vender.

Massas
Aposente macarrão, lasanha, nhoque…

Industrializados
Não são considerados comida de verdade.

Milho
Em qualquer receita, ele está vetado.

Pães
É o símbolo máximo do carboidrato, né?

Sucos de frutas
Tem que evitar os naturais e o néctar.

Tapioca
É bastante similar ao pão.

Refrigerante
Um verdadeiro poço de açúcar.

Frutas com alto índice glicêmico
Banana, melancia, manga, uva e abacaxi são exemplos.

Arroz branco
Nem o integral deve entrar no prato.

Batata Inglesa
Tem menos fibras que os outros tubérculos.